Por ANTÓNIO VIDIGAL
As Energias Limpas arranjaram um novo aliado de peso. Bill Gates, fundador da Microsoft e reconhecido filantropo, afirmou, na conferência do TED, que a partir de agora, a sua maior aposta seriam as Energias Limpas.
Aposta que considerava mais importante, para os 2 biliões de habitantes mais pobres do Planeta, do que a descoberta de uma nova vacina.
O TED é um influente grupo, sem fins lucrativos, dedicado "às ideias que vale a pena espalhar". Pelas conferências do TED têm passado alguns dos mais relevantes ‘opinion makers' da actualidade.
Sem gravata, de camisa branca e calça preta, num discurso de meia hora, bem encenado, inspirador e cheio de optimismo, Bill Gates transmitiu as suas ideias sobre os desafios que se nos colocam, nas áreas da Energia e do Clima. As opiniões de um dos homens mais ricos do Mundo são sempre de levar a sério, tanto mais que ele se faz aconselhar pelos melhores cientistas.
A intervenção de Bill Gates foi surpreendente por dois motivos. Primeiro, pela proposta apresentada: conseguir, até 2050, passar o custo da energia para metade, eliminando ao mesmo tempo as emissões de CO2!
Depois, pela aposta no Nuclear, tecnologia em torno da qual se criou, nos últimos anos, um tabu. A aposta de Bill Gates no nuclear é inovadora.
Com efeito, a proposta é utilizar-se, como combustível, o urânio empobrecido, que existe em abundância, como resultado do funcionamento das actuais centrais nucleares. Ficaria, assim, de imediato, encontrada a forma de se eliminarem os resíduos nucleares. Gates terá investido dezenas de milhões de dólares na TerraPower, uma ‘start-up' que desenvolve este tipo de tecnologia.
Bill Gates, defendeu que, se queremos deixar de contribuir para as alterações climáticas, a emissão de CO2, com origem na actividade humana, deverá, necessariamente, ser nula num horizonte de 2050. E a partir desta premissa desenvolveu o seu raciocínio em torno da fórmula:
CO2 = População X (Serviços/Pessoa) X (Energia/Serviço) X (CO2/kWh)
Num horizonte de 2050 a população mundial crescerá, muito provavelmente, 30%; a quantidade de serviços por pessoa, deverá duplicar para que o bem estar da população possa continuar a melhorar; a energia necessária para produzir cada serviço poderá melhorar, quanto muito, por um factor de 6, o que nos deixa ainda com 13 bT de CO2 anuais. O que leva Gates a concluir que em 2050 só poderemos utilizar fontes de energia que não emitam qualquer CO2.
Para o conseguir Bill Gates, considera que não há um "silver bullet" e que se deverá apostar no sequestro de carbono e nas energias nuclear, eólica e solar ( tanto fotovoltaica como térmica). E também no armazenamento de energia. E que em cada uma destas fileiras terá que aparecer uma centena de ‘start-ups' que viabilizem o milagre de "Inovarmos para Zero Emissões".
Devemos ambicionar que algumas dessas ‘start-ups' sejam portuguesas, pois, afinal de contas, já iniciámos, há uns anos, o caminho das Renováveis!
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António Vidigal, Presidente Executivo da EDP Inovação
Fonte: Económico
As Energias Limpas arranjaram um novo aliado de peso. Bill Gates, fundador da Microsoft e reconhecido filantropo, afirmou, na conferência do TED, que a partir de agora, a sua maior aposta seriam as Energias Limpas.
Aposta que considerava mais importante, para os 2 biliões de habitantes mais pobres do Planeta, do que a descoberta de uma nova vacina.
O TED é um influente grupo, sem fins lucrativos, dedicado "às ideias que vale a pena espalhar". Pelas conferências do TED têm passado alguns dos mais relevantes ‘opinion makers' da actualidade.
Sem gravata, de camisa branca e calça preta, num discurso de meia hora, bem encenado, inspirador e cheio de optimismo, Bill Gates transmitiu as suas ideias sobre os desafios que se nos colocam, nas áreas da Energia e do Clima. As opiniões de um dos homens mais ricos do Mundo são sempre de levar a sério, tanto mais que ele se faz aconselhar pelos melhores cientistas.
A intervenção de Bill Gates foi surpreendente por dois motivos. Primeiro, pela proposta apresentada: conseguir, até 2050, passar o custo da energia para metade, eliminando ao mesmo tempo as emissões de CO2!
Depois, pela aposta no Nuclear, tecnologia em torno da qual se criou, nos últimos anos, um tabu. A aposta de Bill Gates no nuclear é inovadora.
Com efeito, a proposta é utilizar-se, como combustível, o urânio empobrecido, que existe em abundância, como resultado do funcionamento das actuais centrais nucleares. Ficaria, assim, de imediato, encontrada a forma de se eliminarem os resíduos nucleares. Gates terá investido dezenas de milhões de dólares na TerraPower, uma ‘start-up' que desenvolve este tipo de tecnologia.
Bill Gates, defendeu que, se queremos deixar de contribuir para as alterações climáticas, a emissão de CO2, com origem na actividade humana, deverá, necessariamente, ser nula num horizonte de 2050. E a partir desta premissa desenvolveu o seu raciocínio em torno da fórmula:
CO2 = População X (Serviços/Pessoa) X (Energia/Serviço) X (CO2/kWh)
Num horizonte de 2050 a população mundial crescerá, muito provavelmente, 30%; a quantidade de serviços por pessoa, deverá duplicar para que o bem estar da população possa continuar a melhorar; a energia necessária para produzir cada serviço poderá melhorar, quanto muito, por um factor de 6, o que nos deixa ainda com 13 bT de CO2 anuais. O que leva Gates a concluir que em 2050 só poderemos utilizar fontes de energia que não emitam qualquer CO2.
Para o conseguir Bill Gates, considera que não há um "silver bullet" e que se deverá apostar no sequestro de carbono e nas energias nuclear, eólica e solar ( tanto fotovoltaica como térmica). E também no armazenamento de energia. E que em cada uma destas fileiras terá que aparecer uma centena de ‘start-ups' que viabilizem o milagre de "Inovarmos para Zero Emissões".
Devemos ambicionar que algumas dessas ‘start-ups' sejam portuguesas, pois, afinal de contas, já iniciámos, há uns anos, o caminho das Renováveis!
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António Vidigal, Presidente Executivo da EDP Inovação
Fonte: Económico
Nota: Se a ideia de Bill Gates a respeito do nuclear não servir para mais nada, uma vez que a fissão nuclear, com o surgimento da fusão a laser, tem os dias contados, servirá pelo menos para nos vermos livres dos detritos, que nenhum de nós quer, com certeza, deixar para as gerações futuras. Seria uma vergonha.
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