quarta-feira, março 17

Curar com "mica panis"

O mais extraordinário deste estudo levado a cabo por investigadores italianos não é tanto a aparente comprovação de que um placebo ou as palavras de um médico podem curar, como uma prova mais do poder ainda tão desconhecido da mente humana. Pudéssemos nós apreender, compreender e utilizar bem esse poder e talvez a maior parte dos nossos problemas desaparecesse. "Utilizar bem", é importante. Pois é um poder que, mal utilizado, poderá ser tão perigoso como uma bomba nuclear.


Muitos acreditam que o efeito de um placebo seja psicológico e apenas mensurável ou observável sobre uma pessoa que acredite na sua cura, ou seja, é uma substância sem actividade farmacológica e usada como testemunho de controlo em testes. Por isso, definem-no como uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia "de mentira", dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico. Há ainda quem lhe chame "pílula de açúcar".
O efeito destes medicamentos tem intrigado durante séculos, mas agora um artigo publicado no jornal de medicina «The Lancet» traz novas abordagens sobre placebos. Fabrizio Benedetti, da Universidade de Turim (Itália), e os seus colegas, já se têm dedicado ao estudo do produto há algumas décadas e durante a prática descobriram que não é necessário usar um determinado placebo para conseguir o efeito no plano psicológico.


Segundo os investigadores italianos, os principais mecanismos dependem da espera dos doentes e do condicionamento. Quer se trate de uma dor ou dependência, a acção do produto está marcadamente ligada à esperança do paciente, ou por sugestão do médico.
No entanto, os benefícios não são apenas subjectivos, os placebos contêm incontestáveis propriedades neurobiológicas. Testes de ressonância magnética confirmam que estes induzem as mesmas alterações no cérebro do que substâncias morfínicas.

Placebo induzem alterações no cérebro idênticas a substâncias morfínicas
Várias reacções objectivas foram observadas na actividade cerebral de doentes de Parkinson e de pessoas depressivas. Contudo um psicofarmacólogo, Jean-Jacques Aulas, explicou a um diário francês que o efeito placebo “não é universal” e que “não tem qualquer acção em infecções graves como septicemias ou cancro”.

Miolo de pão
Poderá um especialista prescrever conscienciosamente uma substância inactiva a um paciente? Por exemplo, o médico de Napoleão tratava doentes com ‘mica panis’, ou seja, miolo de pão.
Dependendo das moléculas contidas ou da personalidade do especialista que prescreve o produto, a eficácia é de certa forma influenciada pela crença. “Um bom médico está sempre optimista”, refere ainda o psicofarmacólogo.
O neurocientista italiano acrescenta que os antagonistas opiáceos reduzem o efeito placebo. “O efeito ocorre quando o cérebro espera o alívio da dor – faz com que o organismo produza opióides endógenos, ou seja, analgésicos naturais". Portanto, se o nosso cérebro espera obter analgésicos, o corpo pode produzi-los naturalmente.
Fabrizio Benedetti, sublinha ainda que palavras, o toque, cheiros ou aquilo que vemos podem ter um efeito no contexto da medicina, que determina expectativas e tendo isso em conta, os placebos podem ser vistos como um novo ramo da Medicina alternativa. Embora, esta teoria não seja tão bem aceite pelos cépticos.

1 comentários:

Magno Jardim disse...

O Que é que os cépticos sabem ?

Ironicamente.
Magno Jardim

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