sábado, março 13

A pedagogia humanista de Carl Rogers

Texto de: Fabíola Langaro, Geórgia Bunn Santos e Maria Aparecida Oltramari (Psicólogas)

A educação, segundo uma visão humanista, deveria englobar todo o sujeito, ou seja, incluir neste processo a aprendizagem não só no aspecto cognitivo, mas também nos aspectos emocional e de vivência. Para Carl Rogers, representante do humanismo, a política de educação deve estar centrada no aluno, que participará ativamente das decisões norteadoras de sua aprendizagem.
A teoria humanista vê o homem como centro de interesse, sendo o modelo do mundo. Este homem se caracteriza pela sua dignidade, individualidade, subjetividade e liberdade. A realidade é particular e individual, pois cada sujeito a percebe de acordo com o que experimenta.

Dessa forma, o homem é visto em sua totalidade e, portanto, a educação deveria seguir o mesmo princípio. O processo de aprendizagem significativa será mais completo, profundo e duradouro se envolver não só cognição, mas também os sentimentos e as experiências vivenciadas pelo estudante.
Rogers propôs que a educação

“seria a criação de condições nas quais os alunos pudessem tornar-se
pessoas de iniciativa, de responsabilidade, de autodeterminação, de
discernimento, que soubessem aplicar-se a aprender as coisas que lhe
servirão para a solução de seus problemas e que tais conhecimentos os
capacitassem a se adaptar com flexibilidade às novas situações, aos novos
problemas, servindo-se da própria experiência, com espírito livre e cirativo”.
(Misukami, p. 45, 1986).

Rogers criticou a política de ensino tradicional, por fazer do professor o possuidor do conhecimento e o aluno, recipiente. O professor é possuidor do poder, regendo pela autoridade a prática em sala de aula, mantendo a ordem e a disciplina através do amedrontamento dos alunos, que o obedecem.

“A aula, ou algum meio de instrução verbal, é a forma principal de colocar
conhecimento no recipiente. O exame avalia até onde o estudante o
recebeu. Estes são os elementos centrais deste tipo de educação”.
(Rogers, p.134, 1977).

Sua crítica principal era de que, desta forma, o sistema educacional dá lugar apenas ao intelecto, e não para o ser humano como um todo.
A filosofia rogeriana para a educação consiste em centrar no estudante a responsabilidade pelo seu aprendizado. Para que isto seja possível, é necessário que haja a precondição estabelecida por Rogers, de que a pessoa que irá ocupar o papel do professor tenha confiança suficiente e si mesma e se torne facilitador, confiando na capacidade que os alunos possuem de aprender por si próprios. Satisfeita esta precondição, os alunos devem participar do planejamento curricular, decidindo com o grupo que atividades serão realizadas. O importante é favorecer o processo contínuo de aprendizagem, onde o bom resultado aparece quando o estudante aprende a aprender, ou seja, se conhece o suficiente para entender os mecanismos que facilitam a aquisição do conhecimento preterido.
A disciplina externa é substituída pela auto-disciplina. A avaliação é fundamentalmente uma auto-avaliação, que pode ser enriquecida pelo facilitador e pelo grupo.
Estes fundamentos marcam as diferenças entre a educação tradicional e a educação empreendedora de Rogers. Sua intenção era a de promover o crescimento do ser humano, envolvendo todos os aspectos de sua vida. O objetivo é chegar a uma aprendizagem significativa, que só é obtida porque a direção da aprendizagem é escolhida pelo estudante, a aprendizagem é auto-iniciada e, principalmente, pelo fato de a pessoa estar investida inteira no processo.
Assim, a educação humanista volta-se para a obtenção de aprendizagens que vão além do intelecto, objetivando uma formação integral do ser humano, para que este chegue a ter uma vida feliz e repleta de experiências satisfatórias. Rogers conseguiu fundamentar os passos para se chegar à realização efetiva destes objetivos, e propôs uma verdadeira revolução na política da educação existente na década de 70.

REFERÊNCIAS

MISUKAMI, Maria da G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: E.P.U., 1986.
ROGERS, Carl R. A pessoa como centro. São Paulo: E.P.U, 1977.
SCHULTZ, D. P. e SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cultrix, 2001.

3 comentários:

Magno Jardim disse...

Muito bem,
será que em nossos dias já está posta em prática
esta excelente pedagogia, desenvolvimento, crescimento, educação etc. no nosso sistema de educação ?

Que melhor forma teremos se não esta e sua aplicação para a concretização do "5º Império" tanto ansiado por uns e tão reprimido por outros ?

Por pensarem que é o fim do mundo ?
O fim da sociedade como a conhecemos ?
A defesa de interesses ?

Porque não o crescimento de uma sociedade saudavel de corpo, mente e economia sãs ?

Cordialmente

Manuel Magno Cachucho Jardim

Serafina disse...

Em Portugal existe a Associação Portuguesa de Psicoterapia Centrada na Pessoa e Counselling (http://www.appcpc.com/) e ainda a Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Centrada no Cliente e Abordagem Centrada na Pessoa (http://www.sptrogeriana.com/conteudos/SystemPages/page.asp?art_id=1), que inclusivamente faz terapia gratuita a quem não tem dinheiro para pagar. Ambas as organizações dão formação, mas não encontrei nenhuma escola que utilizasse este método no ensino.
Também penso que era algo a ensaiar.

Magno Jardim disse...

Concordo.

Como lhe quiser chamar a Humanidade...


"Outro Portugal";
"5ºImpério";
"A Era Dourada";
"O Fim do Mundo";
"O Juizo Final";
"Humanização" ou simplesmente "Humanidade".

Saudações cordiais
Manuel Magno Cachucho Jardim

Enviar um comentário